Os Invisíveis

Agosto 25, 2009

“Aquilo começou com uma explosão de violência. Poucos dias antes do Natal, numerosos famintos tomaram de assalto os supermercados. Entre os desesperados, como costuma ocorrer, infiltraram-se uns quantos delinquentes. E nessas horas de caos, enquanto corria o sangue, o presidente da Argentina falou pela televiso. Palavra mais ou palavra menos, disse: a realidade não existe, as pessoas não existem.

E então nasceu a música. Começou devagarinho, soando nas cozinhas de algumas casas, colheres que batiam nas panelas, e saiu pelas janelas, pelas sacadas. E foi-se multiplicando de casa em casa e ganhou as ruas de Buenos Aires. Cada som se uniu a outros sons, pessoas se uniram com pessoas, e na noite explodiu o concerto da revolta coletiva. Ao som de penelas e sem outras armas senão estas, a multião invadiu os bairros, a cidade, o país. A polícia respondeu a balaços. Mas as pessoas, inesperadamente poderosas, derrubaram o governo.”

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Esse é um trecho de um texto do Eduardo Galeano, que está no livro O Teatro do Bem e do Mal, e que usamos como parte da letra de uma música nova que fizemos nos últimos ensaios. A outra parte da letra é um texto do Rafael, que ele pode/deve colocar aqui.

Esse texto, Os Invisíveis, fala sobre a insurreição dos panelaços, ocorrida na Argentina no final de 2001/início de 2002, em que o povo, faminto e falido, após a destruição do país pelo neoliberalismo, foi às ruas, primeiro saquear mercados para saciar sua fome, e depois de maneira organizada, para dizer “que todos se vão, que não reste nenhum” ao presidente, ao congresso, aos banqueiros, às empresas transnacionais e ao fmi. Durante a ocupação da Praça de Maio por manifestantes, ocorreram conflitos, e entre os dias 19 e 20 de dezembro, 35 pessoas foram assassinadas nos protestos, pela polícia repressora do então presidente Fernando De Las Ruas, que havia decretado estado de sítio no país.

Quem se interessar, to com um documentário sobre esse processo político, muito impressionante, com imagens dos conflitos e dos piquetes, e depoimentos de lideranças políticas e de  trabalhadores. É só me dizer que quer, e dar uma mídia, que eu copio.

Beijos a todxs.

Ernesto

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2 Respostas to “Os Invisíveis”


  1. Mais uma prova que a união popular quebra qualquer muro.


  2. esse texto explica a bondade de emissoras de tv que praticam programas que dão “esperança” às crianças, multinacionais que promovem um natal “sem fome”, realizações diversas… e assim, reforçam seus podres poderes e nos mantém quietos.

    gostei do texto!


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