é… muito tempo sem postar aqui, coisas foram feitas, desfeitas, pensadas, quebradas, construídas, vividas.

Vamos viajar em turnê pelo sul do brasil e por são paulo, tocaremos 7 shows durante 10 dias. se você estiver lendo isso, espero que vá a algum destes shows!
entramos no carro para começar a viagem daqui há 2 dias e estamos muito animados. Vamos, junto com a turnê, lançar o no disco da banda, que contará com inicialmente 300 cópias das quais levaremos 100 nessa viagem. Estamos ainda terminando as capas, que são feitas manualmente em serigrafia e cansa para caralho! Espero que todos gostem!

Até.

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Março 21, 2010

algo que escrevi esses dias, e to tentando transformar em música…

Dança de abraços

Nas madrugadas em que caminhamos
Sobre colchões perdendo a conta de quantos
Mundos descobrimos e cada vez que sorrimos
Pra cada liberdade conquistada

Sem testemunhas que pudessem denunciar
O que fomos naqueles momentos
Rasgamos adereços e montamos fantasias nuas
Para sermos apenas nós mesmos

Como bardos ébrios de paixão e ideais
Dançamos nesse instante infinito
E com os passos declaramos o fim desses mitos
Agora somos os dois reis de nós mesmos

Fevereiro 18, 2010

refletindo sobre essa adoração da imagem na construção dos sempre mesmos sabores e paisagens, desenvolvi um trecho pra letra dessa música que o rafa se referiu pensando em como, no meio punk, hardcore, anarquista, libertário, ou em qualquer grupo social e político, a imagem tem papel fundamental na construção de uma identidade alienada, sem nenhum grau de auto-reflexão.

isso é: compramos identidades como a um produto. um pacote completo, que inclui trajes, passos de dança, modo de falar e agir. essa compra, ou associação direta e irrestrita a uma imagem, ou conjunto de imagens e valores, cria uma relação alienada, em que o pacote adquirido deve ser aplicado tal como veio, sem que haja reflexão ou críticas a ele.

nos ligamos a esses conjuntos de idéias pela necessidade de pertencermos a algum grupo social. preenchemos o vazio de nossa existencia, num mundo turbulento e totalmente incerto, nos filiando a valores que não fazem realmente parte de nós, de uma maneira profunda e digerida.

de certa forma, acho que o pes descalços tem como uma de suas propostas romper com esse “absolutismo” dos nichos sociais. isso é: somos uma banda punk num show de rock, somos uma banda emo num show de punk, somos uma banda anarquista num show “só de som”, somos uma banda livre de drogas, mas não somos uma banda straigh, somos uma jam session num show de bandas ensaiadas.. desconstruímos os modelos que chegam pra gente, pegamos o que interessa, o que não interessa descartamos, criamos outras coisas, e assim crescemos, juntos,

mais ou menos por aí.

verdades, quando saem pra passear, se deparam com retratos tão fiéis que chegam a deturpar.
a necessidade tão latente de sentir-se parte de algo, pertencente, acaba por destruir as chances de não pertencermos a nada.
em cada beco ou esquina, um desejo pulsante. em cada traje que destruimos, um mundo se revela.
entre o preto e o branco, mil cores para criar. e usar.

Os Invisíveis

Agosto 25, 2009

“Aquilo começou com uma explosão de violência. Poucos dias antes do Natal, numerosos famintos tomaram de assalto os supermercados. Entre os desesperados, como costuma ocorrer, infiltraram-se uns quantos delinquentes. E nessas horas de caos, enquanto corria o sangue, o presidente da Argentina falou pela televiso. Palavra mais ou palavra menos, disse: a realidade não existe, as pessoas não existem.

E então nasceu a música. Começou devagarinho, soando nas cozinhas de algumas casas, colheres que batiam nas panelas, e saiu pelas janelas, pelas sacadas. E foi-se multiplicando de casa em casa e ganhou as ruas de Buenos Aires. Cada som se uniu a outros sons, pessoas se uniram com pessoas, e na noite explodiu o concerto da revolta coletiva. Ao som de penelas e sem outras armas senão estas, a multião invadiu os bairros, a cidade, o país. A polícia respondeu a balaços. Mas as pessoas, inesperadamente poderosas, derrubaram o governo.”

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Esse é um trecho de um texto do Eduardo Galeano, que está no livro O Teatro do Bem e do Mal, e que usamos como parte da letra de uma música nova que fizemos nos últimos ensaios. A outra parte da letra é um texto do Rafael, que ele pode/deve colocar aqui.

Esse texto, Os Invisíveis, fala sobre a insurreição dos panelaços, ocorrida na Argentina no final de 2001/início de 2002, em que o povo, faminto e falido, após a destruição do país pelo neoliberalismo, foi às ruas, primeiro saquear mercados para saciar sua fome, e depois de maneira organizada, para dizer “que todos se vão, que não reste nenhum” ao presidente, ao congresso, aos banqueiros, às empresas transnacionais e ao fmi. Durante a ocupação da Praça de Maio por manifestantes, ocorreram conflitos, e entre os dias 19 e 20 de dezembro, 35 pessoas foram assassinadas nos protestos, pela polícia repressora do então presidente Fernando De Las Ruas, que havia decretado estado de sítio no país.

Quem se interessar, to com um documentário sobre esse processo político, muito impressionante, com imagens dos conflitos e dos piquetes, e depoimentos de lideranças políticas e de  trabalhadores. É só me dizer que quer, e dar uma mídia, que eu copio.

Beijos a todxs.

Ernesto