Eu passei aqui tantas vezes que
já não sei se paro e olho um pouco mais.
Ou se estrago a surpresa, percebendo que
já sei o que está por trás dessas lindas cores.

Os mesmos sabores, as mesmas paisagens
um quarto pelo produto e 3 pela embalagem.
Espere um pouco, dessa vez não
precisamos ter a mesma relação.

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Então, muito tempo se passou desde que deixei a letra de uma de nossas músicas aqui pela última vez. Nós nos encontramos, tocamos, criamos, não nos vimos por semanas, depois fizemos tudo de novo. Como se só funcionássemos assim. hehehehe.
E, por incrível que pareça, senti falta disso… vir aqui e postar alguma coisa. Não qualquer coisa, afinal do que vale a conversa se nada há nela? Falar por falar nunca foi meu forte.

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Há uns dias tenho me questionado (pela milésima vez!) sobre as inúmeras coisas que faço e escolho na minha vida, sobre o querer. Lembrei de um texto que eu havia lido e ao mesmo tempo que pensei “preciso reler o texto”, me veio a mente “eu já tenho as respostas, obrigado, você foi útil, mas agora é comigo!”. Me senti bem, percebendo que já não precisava mais parar e olhar, que eu já tinha o que eu precisava dentro de mim.

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Pela instabilidade, vou mudar de assunto. O começo foi só um “oi, estou vivo!”. hehehehe

Esse texto que está no começo do post é um pedaço de letra de uma das músicas novas que estivemos fazendo nesses últimos meses/dias/sei lá o que. A letra tem uma outra parte, mas como sempre, deixo para outra pessoa a obrigação de vir aqui postá-la. Trabalho em equipe!

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Descontruindo a postagem inteira. é interessante sair cuspindo pensamentos.

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Por fim, Hoje teremos para sobremesa: Um texto que eu já li, imprimi, distribuí por aí, passei muito tempo pensando sobre, que tem grande influência sobre o que tá escrito no começo, e sobre o que tá escrito depois nesse post, é o texto do “eu já tenho as respostas, obrigado, você foi útil, mas agora é comigo!”, é do tipo de texto que você só tem que ler uma vez.

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Seduzido pela imagem da realidade

Quando criança, enquanto folheava revista eu costumava imaginar que deveria haver em algum lugar um mundo mágico onde todos pareciam, e eram, perfeitos. Eu podia ver fotos desse mundo naquelas páginas, o ar enfumaçado de um ambiente em meia luz, o clima pesado com o drama de uma jovem modelo usando roupas de marca. Era lá onde se poderia encontrar aventura e excitação, eu pensava, um mundo em que cada ambiente é impecavelmente bem decorado e as roupas de cada mulher são escolhidas e combinadas com ousadia e bom gosto. Resolvi ter eu mesmo uma vida de aventuras e comecei procurando esses ambientes e essas mulheres por aí. E embora tenha descoberto desde então que raramente o romance e a aventura venham juntos com as imagens que nos são apresentadas (geralmente o oposto é verdade, a aventura geralmente é encontrada onde não há nem tempo nem energia para se manter as aparências), eu ainda às vezes me pego pensando que tudo só seria perfeito se eu vivesse naquele pitoresco chalé com os tapetes combinando.
O que quer que seja que estamos procurando todos nós tendemos a buscar os nossos desejos perseguindo imagens: símbolos das coisas que desejamos. Compramos jaquetas de couro quando queremos rebeldia e perigo. Adquirimos carros rápidos não pela necessidade de dirigir rápido, mas sim para recuperar a nossa juventude perdida. Quando queremos revolução, compramos panfletos e adesivos políticos. De algum modo, assumimos para nós mesmos que possuindo os acessórios adequados conseguiremos a vida perfeita. E quando construímos as nossas vidas, geralmente o fazemos de acordo com uma imagem, um padrão que nos foi arranjado: hippie, executivo, dona de casa, punk.
Por que hoje em dia pensamos tanto em imagens ao invés de nos concentrarmos na realidade, nas nossas próprias vidas e emoções? Uma das razões que fazem as imagens terem atingido tal importância na sociedade atual é o fato de que elas, ao contrário das atividades, são fáceis de serem vendidas. A propaganda e o marketing, que servem para criar nos produtos um valor simbólico que atraia os consumidores, têm transformado a nossa cultura. Há anos as corporações têm espalhado uma propaganda criada para nos fazer crer nos poderem mágicos de seus produtos: o desodorante oferece popularidade, o refrigerante oferece juventude e energia, o jeans oferece sensualidade. Em nossos empregos, trocamos o nosso tempo, energia e criatividade pela habilidade de comprar esse símbolos, e continuamos comprando-os, apesar de que, naturalmente, quantidade nenhuma de cigarros pode realmente dar satisfação a alguém. Ao invés de satisfazer as nossas necessidades, esses produtos as multiplicam: para poder obtê-los, vendemos partes de nossas vidas. Continuamos voltando para trás, sem conhecer outro caminho, esperando que o próximo produto (livros de auto ajuda, disco de punk rock, aquelas férias no chalé com os tapetes combinando) será que aquele que resolverá tudo.
Somos facilmente persuadidos a perseguir estas imagens simplesmente porque é muito mais fácil mudar o cenário que nos rodeia do que mudar as nossas próprias vidas. Quão menos problemático e arriscado seria se você pudesse tornar a sua vida perfeita apenas colecionando todos os produtos certos. Nenhuma participação seria necessária. A imagem personifica todas as coisa que você deseja e você gasta seu tempo e energia tentando ajeitar todos os detalhes corretamente (o boêmio tenta achar a boina perfeita e o show de MPB certo para comparecer, o “playboy” tem que ser visto com os amigos certos, nas festas certa bebendo as cervejas certas e usando as camisas da marca certa) ao invés de correr atrás dos próprios desejos – apesar de que é muito mais fácil identificar-se com uma imagem pré-fabricada do que com o que você realmente quer na vida. E se você realmente quer aventura, aquela camiseta de academia de jiu jitsu não será suficiente, e se você que um romance de verdade, sair com a garota mais desejada da escola pode não ser o bastante.
Fascinados como somos pelas imagens, nossos valores giram em torno de um mundo que nunca experimentaremos de verdade. Não existe nenhum caminho que o leve para dentro das páginas das revistas, não há um jeito de ser o arquétipo do punk ou do executivo ideal. Estamos “presos” aqui fora, no mundo real, para sempre. E ainda assim continuamos procurando a vida em fotos, modas e espetáculos de todo tipo – em qualquer coisa que possamos colecionar ou assistir – ao invés de fazermos nós mesmos.

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Espere um pouco. Dessa vez não.

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Foi bem diferente esse post.
Beijos,
Rafa

“Nada É Impossível De Mudar

Desconfiai do mais trivial ,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.”

…Pois, aí sim, eu estaria
me privando de felicidade,
sendo parte de algo que
faz minha vontade sangrar.

Acredite, já fiz isso inúmeras vezes
para saber como eu me sinto,
como eu me sentiria amanhã.

Esta inversão nós dois podemos ver.
Nesta do que é privação para mim e
do que é privação para você.

Acho melhor seguir assim: Incerto,
o bastante para que mais nenhum
dos meus passos se torne um hábito.

Escolhas são, pelo menos para mim,
consequência de querer ser feliz.

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De começo, isso é um obrigado em outras palavras.

Este texto veio de uma conversa que tive agora pouco com uma amiga, na qual ela me

questionou sobre minhas idéias e escolhas implicarem na privação e limitação das minhas

vontades e meus prazeres, e o texto é um pouco do que dei a ela como meu ponto de vista

somado a coisas que escrevi agora e uma poesia de Brecht que já há um tempo me faz andar

com mais convicção.
Adoro estes momentos de conversas de verdade, sem as máscaras do cotidiano. Eles mostram

quão lindas as palavras podem ser. Quão lindas as pessoas podem ser. : )

Beijos, Rafa